Desejo que seja tão produtivo para vocês como foi para mim!
O presente artigo se propõe a apresentar um estudo de caso realizado com bases em um aconselhamento pastoral. Todos os nomes utilizados são fictícios e as identidades das pessoas envolvidas serão mantidas em sigilo.
Pretendemos expor uma descrição sucinta da pessoa aconselhada, assim como, do caso, sem, contudo, perder a perspectiva de detalhar aspectos importantes e inerentes a uma análise de qualidade, responsável, e pautada por embasamento teórico apropriado.
No primeiro capítulo trataremos da descrição da aconselhanda, apresentando sua con-dição emocional, espiritual, social, existencial e psicológica, no momento em que procurou, pela primeira vez, o aconselhamento pastoral para tratar de sua necessidade.
No segundo capítulo, buscaremos explicitar o caso, detalhando os aspectos necessários para o bom entendimento do leitor. Para isso, utilizaremos uma descrição pragmática e sis-têmica do caso, de forma a facilitar a compreensão do caso.
No capítulo seguinte, detalharemos nossa percepção acerca do Foco Central da Pro-blemática da Aconselhanda. Apresentaremos, também, algum suporte bibliográfico que nos ajudará a compreender melhor o problema vivenciado pela aconselhanda, assim como seus desafios. Ainda nesse capítulo, apresentaremos alguns aspectos antropológicos, psicológicos, e técnicos do aconselhamento pastoral, que facilitarão a plena compreensão do leitor, acerca do caso relatado, bem como, das diretrizes que apresentaremos nos capítulos seguintes.
No capítulo quatro, apresentaremos o Estado Emocional da aconselhanda, e, também, a possível natureza de seus conflitos. Por fim, apresentaremos, nesse capítulo, alguns dos comportamentos pessoais e interpessoais da aconselhanda, que nortearão nosso resumo do estado emocional geral da mesma.
No quinto capítulo, trabalharemos a Análise Teológica. Essa análise será baseada nas percepções que tivemos, em relação, aos momentos de conversa com a aconselhanda, bem como, os desafios teológicos que surgiram decorrentes das percepções teológicas da própria aconselhanda.
No sexto capítulo, detalharemos alguns dos encaminhamentos que consideramos plau-síveis e favoráveis para o caso da aconselhanda, assim como, para demais casos que envolvam a Doença de Alzheimer.
Descrição da Pessoa
A pessoa escolhida para o desenvolvimento desse estudo de caso será identificada pelo pseudônimo de Maria Paula.
Essa mulher tem 54 anos e está casada há cerca de 35. Mãe de um três filhos, sendo dois homens e uma mulher, trabalha regularmente como assistente de serviços gerais, e é voluntária em um programa comunitário. Ela mora com o esposo, o filho, a filha e a neta, próximo ao local de seu trabalho. Seu outro filho mora em Recife – Pernambuco. Ela é membro da Igreja Metodista desde seu nascimento e freqüenta a mesma comunidade há aproximadamente 25 anos. Ela participa de todas as atividades da igreja, inclusive durante a semana. Seu esposo também é muito participativo. Os filhos e a neta não freqüentam a igreja, porém, esporadicamente, eles visitam a comunidade em dias de festividade.
A condição econômica da família é de classe média. Eles não vivem uma situação fi-nanceira difícil, já que o marido é aposentado pelo Estado e ela trabalha regularmente; além disso, eles moram em casa própria, e possuem um veículo. Atualmente, a filha e a neta estão trabalhando regularmente e ajudando nas despesas da casa.
Ela mora próximo de sua mãe, Lúcia, e, em razão disso, é a filha que dá maior assistência no dia-a-dia. Seu pai, Augusto, faleceu há dez anos e, por isso, Lúcia depende da assistência mais próxima dos filhos e filhas. Um dos irmãos de Maria Paula mora em São Paulo, mas, devido aos compromissos profissionais, só consegue acompanhar a mãe a cada quinze dias, nos finais de semana. Os demais filhos de Lúcia moram fora da cidade de São Paulo e, uma das filhas, em outro país.
Maria Paula é uma pessoa alegre e ativa. Ela sempre se aproxima das pessoas com um sorriso no rosto e de forma prestativa. Contudo, ultimamente, a aconselhanda tem transpare-cido estar cansada, físico e emocionalmente. Maria Paula mostra-se dispersa e desatenta com as coisas, isola-se, e não demonstra suas emoções.
Descrição do Caso
Maria Paula procurou aconselhamento pastoral queixando-se do comportamento de sua mãe – Lúcia, que tem apresentado um caso de esquecimento preocupante, que inviabiliza ações que, até então, faziam parte de sua rotina, como: ir ao supermercado e à igreja sozinha.
Em razão desses comportamentos, Maria Paula levou Lúcia ao médico e ficou diag-nosticado, através de exames, que Lúcia é portadora da Doença de Alzheimer. Contudo, Lúcia não sabe que tem essa doença, somente os filhos e filhas estão a par da situação. Os filhos optaram por não contar à mãe sobre a doença, pois ela sempre sinalizou que tinha medo de ter essa doença, além de que o médico os orientou a seguir esse procedimento.
Maria Paula preocupa-se com o esquecimento de Lúcia e a proibiu de sair sozinha de casa, o que criou um problema entre mãe e filha. A decisão foi tomada depois que Lúcia, ao sair para fazer compras, desapareceu por esquecer o caminho de volta para casa, que fica há dois quarteirões do supermercado.
Hoje, Lúcia é acompanhada, durante 24 horas, por uma cuidadora de idosos. Lúcia sente-se extremamente desconfortável com o controle exercido pela filha, especialmente, porque quando Lúcia era casada, vivia sobre a repressão e controle do marido que não a deixava sair de casa, ir ao supermercado ou à igreja sozinha. Depois da morte do marido, ela conquistou certa autonomia: aprendeu a dirigir, passou a fazer compras sozinha, administrar suas finanças etc.
Agora, diante da situação de saúde de Lúcia, a filha, precisou assumir a responsabili-dade sobre a mãe, inclusive, a administração das finanças. Isso aconteceu após um incidente, em que a mãe realizou doações consecutivas para a mesma instituição de caridade, cau-sandoum déficit no seu orçamento.
Maria Paula se sente desconfortável e culpada por ter que controlar e confrontar a mãe. Sendo a filha mais velha de Lúcia, Maria Paula sempre foi obediente aos pais, quando jovem, ao contrário de seus irmãos mais novos que se sentiam a vontade para confrontar seus pais, diante dos intentos que tinham.
Na semana em que Maria Paula buscou aconselhamento, mãe e filha tiveram uma dis-cussão. Lúcia precisava fazer uma cirurgia nos olhos, pois já estava perdendo completamente a visão, em função de uma Catarata. Lúcia insistia que não queria fazer a cirurgia, mas Maria Paula se manteve irredutível e disse à mãe que ela iria fazer a cirurgia de um jeito ou de outro. Lúcia então respondeu: “Eu não vou fazer a cirurgia, eu agora sou rebelde!”. Essa resposta deixou Maria Paula totalmente desconcertada, pois nunca poderia esperar que sua mãe, que sempre foi um exemplo de vida cristã, pudesse lhe ter dado uma resposta como aquela.
Diante de todas as informações colocadas na descrição da pessoa e na descrição do ca-so, cremos que o foco central do caso apresentado é: Maria Paula não consegue mais reconhe-cer a própria mãe, como modelo de responsabilidade e vida.
Chegamos a essa conclusão, pois a aconselhanda nos relatou que fora educada em um lar onde os princípios cristãos eram levados a sério; a família era uma modelo de responsabilidade. Maria Paula, por ser a primeira filha, recebeu uma carga maior de cobranças e de responsabilidades; em sua educação ela nunca aprendeu a confrontar seus pais, pelo contrário, ela sempre os respeitou e os obedeceu sem questionamentos.
Durante o aconselhamento Maria Paula relatou que o mais chocante ou estarrecedor era a afirmação de sua mãe: “agora eu sou rebelde!”. Isso a deixou, fortemente, abalada, pois sempre tivera a sua mãe como modelo de responsabilidade e vida cristã, uma pessoa temente a Deus e comprometida com o bom testemunho. Agora diante da Doença de Alzheimer, Maria Paula está, paulatinamente, presenciando sua mãe perder o bom senso diante de certas situações.
Há outros fatores que não consideramos centrais, mas que contribuem para do problema apresentado por Maria Paula, como: o desconforto que ela sente em ter que controlar e confrontar a mãe; algo que jamais fizera até esse momento. Outro fator que contribui para a inquietude de Maria Paulo é o fato de que por ser a filha mais velha e por ser a que mora mais perto da mãe, ela é a maior responsável por Lúcia. Sendo assim, ela agrega a responsabilidade com o trabalho, com sua casa, com a igreja, com o trabalho voluntário e com a sua mãe. Por mais que ela receba ajuda, se sente sobrecarregada. Outro fator que contribui para a crise de Maria Paula é que, ao ver a situação de sua mãe, ela se depara com a problemática da finitude da vida.
Para que este trabalho seja enriquecido e o tema aprofundado, torna-se necessário um maio conhecimento do que seria a Doença de Alzheimer. A compreensão do que acontece com Lúcia ajudará a trabalhar mais coerentemente com Maria Paula, pessoa que buscou o aconselhamento.
De acordo com Lima , a Doença de Alzheimer foi descrita pelo médico alemão Alois Alzheimer em 1907, quando ele trabalhava em um laudo clínico de um paciente que apre-sentava sintomas de uma doença neurológica rara. O médico foi o primeiro a descrever os sintomas e os efeitos da doença. Os principais sintomas da doença são: a perda progressiva da memória e a incapacidade de exercer atividades diárias.
De acordo com Coelho , a Doença de Alzheimer é neurológica, lenta e degenerativa, ou seja, a doença vai levando o indivíduo a perder, paulatinamente, as habilidades domésticas diárias até a uma perda total dos movimentos e da fala.
A Doença de Alzheimer pode atingir a qualquer pessoa, sendo que é comum em indi-víduos com sessenta anos ou mais. Contudo, a doença pode acontecer a partir dos quarenta anos. De acordo com Caldeira e Ribeiro , a doença atinge cerca de 7% da população com sessenta e cinco anos. Essa porcentagem vai aumentando com o aumento da idade. Com oitenta e cinco anos a média de portadores da doença é de aproximadamente 25%, ou seja, um em cada quatro indivíduos com essa idade teria Alzheimer. A partir de noventa e cinco anos 50% das pessoas seriam portadoras da Doença de Alzheimer.
Para Dom Valfredo Tepe , é justamente na doença mental que reaparece a íntima co-nexão entre alma e corpo, mente e cérebro. Coelho afirma que a Doença de Alzheimer, e outras demências, ocorrem por causa de mudanças estruturais no cérebro que são visíveis somente por microscópios. Segundo ele, em autópsias realizadas em cérebros com Alzheimer são encontrados emaranhados de fibras e nervos degenerativos que comprometem áreas importantes para a memória e para as funções intelectuais. Além disso, a doença faz reduzir a produção de substâncias químicas essenciais para uma comunicação saudável e normal entre as células nervosas do cérebro.
Caldeira e Ribeiro afirmam que além da idade, outros fatores podem contribuir para o desenvolvimento da Doença de Alzheimer:" História familiar de doença de Alzheimer, mal de Parkinson, ou Síndrome de Down; idade materna acima de 40 anos; sexo feminino; doença da tireóide; hipotireoidismo; baixa formação educacional; traumatismo craniano; depressão de início tardio; herança de certas formas alélicas de genotipagem (ou codificação de gene) para apoliproteína E."
Para Coelho , o paciente com a Doença de Alzheimer mostra inicialmente um quadro de perda de memória recente, ou seja, há a incapacidade de gravar fatos ou falas recentes, além da realização de atividades diárias, fazendo com que o indivíduo repita várias vezes uma tarefa já realizada. No início da doença isso ocorre de maneira sutil, fazendo com que a pessoa perceba o ocorrido. Do início do Alzheimer até o óbito, pode-se levar cerca de oito anos. Pelo fato de a doença ser lenta e degenerativa o doente passa, progressivamente, a precisar de maiores cuidados e supervisão, fazendo com que o mesmo tenha, voluntariamente ou não, uma perda, gradativa, porém, total, de sua autonomia.
Como a doença é progressiva, os cientistas a dividiram em diversos estágios que descrevem a situação degenerativa em que o doente se encontra. Coelho afirma que o primeiro estágio da doença, chamado de inicial, é marcado por queixas de dificuldade de atenção, esquecimento de coisas simples como senhas de bancos, números de telefone e coisas do gênero.
No próximo estágio, chamado de intermediário, a pessoa apresenta: dificuldade em lembrar nomes de pessoas; dificuldade de raciocínio; esquecimento de compromissos; dificuldade para manusear eletrodomésticos; esquecimento de atividades domésticas, fazendo com que a pessoas deixe o gás ligado, comida no fogo; e perda de dinheiro. Além disso, o portador de Alzheimer passa a ter dificuldade para executar suas tarefas básicas como preparar alimentos, vestir-se e cuidar da higiene pessoal.
Coelho afirma ainda que quando o doente atinge a última fase da doença, chamada de avançada, ele perde totalmente a capacidade de ser independente, há o desenvolvimento de comportamentos psicóticos e alterações de comportamento, fazendo com que o doente se desgaste e haja uma sobrecarga do cuidador ou cuidadora. Em cada estágio da Doença de Alzheimer, o indivíduo passa a ter uma perda gradativa de sua autonomia, tornando-se mais dependente do cuidador. De acordo com Coelho, a Doença de Alzheimer tem um impacto direto na família do doente, pelo fato de que eles passarem a ser o cuidador dessa pessoa. A família passa a ser totalmente responsável pelo indivíduo, logo responsável pelo bem estar da pessoa doente.
Quando há o diagnóstico da doença, a família fica geralmente atemorizada, pois não tem conhecimento sobre o assunto, logo, não sabe como agir. Essa é uma fase muito difícil para a família. Cuidar de um idoso com Alzheimer pode ser um das tarefas mais difíceis para uma família, por isso Lima afirma que: "É imprescindível o envolvimento e a participação dos familiares nos cuidados com o portador da Doença de Alzheimer, o que causa um desgaste físico, econômico e emocional nesses familiares gerando muitos transtornos ao equilíbrio e a dinâmica familiar."
Em relação à família cuidadora da pessoa com Doença de Alzheimer, Oliveira, Ribeiro, Borges e Luginger afirmam que: "Conviver com um portador de Doença de Alzheimer propicia um grande número de transtornos na família, devido ao grande aumento de stress como as doenças físicas, depressão, insônia, abuso de álcool, e medicamentos psicotrópicos, abuso físico e verbal do paciente. Por isso é de grande importância o cuidado com essas pessoas para que também elas não adoeçam física e emocionalmente."
Sendo assim esta parte trabalho mostrará citações do Manual para familiares/cuidadores de pacientes com a Doença de Alzheimer , com a finalidade de aprofundar o conhecimento de como um cuidador deve comportar-se no relacionamento com o doente. O manual faz sugestões de como o cuidador deve agir diante das seguintes situações: comportamento do doente, sexualidade, alterações do sono, perambulação, alucinações, banho e higiene pessoais, vestuário, incontinência, alimentação, ambiente e cuidados com atividades diárias.
Estado Emocional - Natureza do Conflito
De acordo com nossas percepções, a natureza do conflito de Maria Paula é a constatação da mudança de personalidade e atitudes da mãe, assim como, alterações em seu estado emocional e psicológico.
As “incoerentes” atitudes de sua mãe, em relação à educação familiar e cristã que ela sempre recebeu, mudanças de pensamento, respostas “inadequadas”, e a “rebeldia” de Lúcia, fazem com que Maria Paula se sinta profundamente desamparada, envergonhada, incomodada e confusa. Para Collins: “Quando temos saúde, geralmente não nos preocupamos com o corpo. (...) Porém, quando a doença é mais séria (...) somos forçados a reconhecer nossas limitações.”
Outro ponto de destaque é a necessidade que Maria Paula tem, atualmente, de decidir as coisas pela mãe. Isso a faz se sentir responsável, e esse fato lhe parece ser mais uma tarefa à qual lhe é cobrado resultados. Em razão de ter que tomar algumas decisões pela mãe, e ter que confrontá-la, em alguns momentos, Maria Paula sente-se culpada, pois, segundo ela, isso é um desrespeito.
Segundo Gary Collins: “Paulo critica fortemente a desobediência infantil e nesta pas-sagem (cf. Ef 6.1-3) ele está falando a filhos que já devem ter idade suficiente para entender e seguir ordens.” A afirmação do autor nos permite constatar que as emoções de Maria Paula perpassam suas concepções teológicas, ponto que abordaremos no próximo capítulo.
Dinâmicas pessoais e interpessoais
Notamos que Maria Paula começa a se afastar das programações cúlticas da igreja. Ela sempre “arranja” alguma coisa para fazer durante os momentos celebrativos e, em razão disso, ela, ultimamente, não está participando dos cultos, como freqüentemente fazia; apesar de continuar indo à igreja regularmente.
Cremos que essa atitude é motivada pela forte influência humanista que Maria Paula recebe, em especial, de suas amigas; que trabalham no mesmo projeto social que a aconse-lhanda. Ela encara a doença da mãe de forma muito pragmática e não expressa sua tristeza, em decorrência do que está acontecendo. O diagnóstico da doença de Lúcia foi há três anos, porém, no diálogo com Maria Paula, percebemos que somente agora ela está aceitando a realidade e buscando ajuda para compreender como pode conviver com essa nova realidade.
Sua postura nos relacionamentos interpessoais continua inalterada, como se nada esti-vesse acontecendo. Ela age, perante as pessoas, como se não estivesse sofrendo ou com ne-nhum tipo de problema.
Cremos que a atitude da aconselhanda se dá em razão dela freqüentar a mesma comu-nidade de fé por cerca de 25 anos, o que a torna uma pessoa muito conhecida e solicitada na comunidade. Possivelmente, a aconselhanda sinta vergonha e receio de expor sua situação para as pessoas que comungam com ela na igreja. Outro ponto a ser considerado, é o fato de que quando Maria Paula expôs a situação a algumas amigas, que nunca vivenciaram uma situação semelhante, elas lhe recriminaram, dizendo: “O que é isso!? Ela é sua mãe e você deve cuidar dela!É sua obrigação.”
Resumo do estado geral
A partir das Seis Dimensões da Integralidade, levantadas por Howard Clinebell em sua obra Aconselhamento Pastoral: modelo centrado em libertação e crescimento , podemos compreender que uma das crises que Maria Paula enfrenta está relacionada à Dimensão dos Relacionamentos Íntimos; uma vez que não é possível restaurar e aprofundar o relacionamento com sua mãe, como fazia outrora, quando Lúcia estava plenamente lúcida.
Sabemos que a crise: “estado de incerteza; fase crítica de uma situação” ; é, também, o momento de re-significação dos sentidos. Nesse caso, Maria Paula precisa re-significar seu relacionamento com Lúcia, compreendendo suas limitações, e buscando novas possibilidades de se relacionar com ela.
Maria Paula precisa avivar sua mente, que segundo Clinebell, é um exercício de de-senvolver seu sentir, pensar e experimentar, de forma plena e amorosa, sua relação consigo mesma. Ela também precisa redescobrir como enriquecer seu relacionamento com sua mãe, tornando-o mais íntimo e pleno, mas de forma diferente da experimentada até então.
A aconselhanda foi orientada pelos médicos que alguns exercícios mentais, como Pa-lavras Cruzadas, poderiam amenizar os efeitos da doença. Acreditando nisso, semanalmente ela compra revistas de palavras cruzadas para sua mãe fazer. Além disso, acompanha a evo-lução da doença através dos resultados dos exames e das reações que a mãe apresenta diante dos medicamentos. Maria Paula fica atenta às reportagens sobre a Doença de Alzheimer, e segue as recomendações que são dadas, na tentativa de mudar o quadro clínico de Lúcia. Esse comportamento é próprio de uma das fases do processo de aceitação da perda, denominado por Clinebell, como barganha ou tentativa de mudar a realidade.
Análise Teológica
Maria Paula relatou que parte da sua culpa reside na crença de que ao confrontar sua mãe, ela está contrariando o mandamento registrado em Êx 20.12: “Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor, teu Deus, te dá” . Desde pequena, Maria Paula foi educada a obedecer aos seus pais e a não responder aos mais velhos; pois dessa maneira estaria honrando seus progenitores. A interpretação teológica do mandamento, dessa maneira, gera um conflito em Maria Paula, principalmente quando ela precisa ser incisiva com sua mãe, e/ou contrariá-la.
A situação de Lúcia demorou a ser aceita e percebida por Maria Paula. Os outros filhos de Lúcia, por não manterem um contato tão próximo com a mãe, aceitaram a doença com maior facilidade. Por vezes, Maria Paula pensou que sua mãe pedia que ela repetisse a mesma informação, várias vezes, por brincadeira ou para irritá-la. Em tese, a grande dificuldade de Maria Paula era aceitar que sua mãe estava envelhecendo. Perceber a velhice de sua mãe também significava observar a finitude da vida. O Salmo 103, versículos 15 e 16, nos transmitem essa mensagem acerca da finitude da existência humana: “Quanto ao homem, os seus dias são como a relva; como a flor do campo, assim ele floresce; pois, soprando nela o vento, desaparece; e não conhecerá, daí em diante, o seu lugar.”
Apesar de ter consciência de que a velhice chegará para todos, foi difícil aceitá-la, principalmente, por que Lúcia sempre foi uma pessoa ativa, independente, trabalhadora, líder na igreja (coordenadora de ministérios) etc.
De certa maneira, aos poucos, Maria Paula percebeu que está perdendo sua mãe. Con-forme as idéias de Clinebell, a negação da realidade é uma etapa em que a pessoa não con-segue acreditar no que está acontecendo; e inicialmente foi o que aconteceu com Maria Paula. Ao citar Martin Heidegger, Clinebell relata que: “o conhecimento que temos da própria morte é a música de fundo que toca fracamente à distância durante toda a nossa vida.”
Outra etapa vivenciada por ela foi o confronto com a realidade que gerou o sentimento de raiva. Nesse caso, a raiva ora estava direcionada a sua mãe, ora relacionada a si mesma; gerando um sentimento de culpa. Pelo relato de Maria Paula não identificamos raiva de Deus. Para Clinebell, esse fator é importante: “Em certos tipos de problemas, os aspectos religioso-existenciais são óbvios e prementes.”
Encaminhamentos
Apresentaremos, nesse capítulo, alguns encaminhamentos que consideramos pertinentes ao acaso.
Primeiramente, devemos confrontar Maria Paula sobre a necessidade que ela tem de assumir a responsabilidade sobre sua mãe, como algo inerente ao momento da vida, e que não é um desrespeito ou pecado. Segundo Clinebell: “Os sentimentos de culpa apropriada e baseada na realidade podem ser resolvidos através de um processo de cinco estágios: con-frontação, confissão, perdão, restituição e reconciliação.” Cremos que Maria Paula deva ser confrontada pela necessidade que há de que ela, como filha mais velha e mais próxima da mãe, assuma o controle da agenda e das tomadas de decisão de Lúcia.
Além disso, Maria Paula precisa se perdoar pelo “suposto” pecado de discutir com sua mãe. Pois, teologicamente, entendemos que os 10 mandamentos, ao citarem que os filhos e filhas devem honrar pai e mãe, trabalham uma dimensão relacionada ao cuidado para com os progenitores em sua velhice, e não uma observância inquestionável de suas ordens ou pedidos.
Uma abordagem que poderá ajudar Maria Paula é a de Frank, Crüsemann em seu es-tudo sobre os 10 mandamentos, no qual ele sugere os destinatários do Decálogo e as possíveis alterações de interpretação que o conjunto de orientações sofreu durante o passar do tempo.
Cremos que se Maria Paula conseguir organizar uma agenda mensal das atividades e compromissos da mãe, e compartilhar essa agenda com o cuidador ou cuidadora, assim como, com seu irmão que mora em São Paulo, ela ficará mais descansada e menos sobrecarregada. A dimensão da poimênica, da rede de apoio da família e da igreja tem sido desenvolvida. Contudo, acreditamos que pode ser aprimorada.
Por último, é importante mostrar a Maria Paula que a Doença da Alzheimer é muito mais comum do que se sabe, acomete muitas pessoas, e que há um grupo especializado para apoiar os familiares de pessoas com Alzheimer; que é a APAZ (Associação de parentes e amigos de pessoas com Alzheimer. Ainda sobre a rede de apoio que pode ajudar Maria Paula, nesse momento, cremos que o filme Como se fosse a primeira vez, pode mostrar-lhe que uma tarefa diária que, aparentemente, é enfadonha, pode ser alegre, divertida e gratificante, quando a base da relação é o amor, como nos afirma Collins: “Um alvo no aconselhamento é ajudar as pessoas a mostrarem mais amor.”
quinta-feira, 4 de junho de 2009
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Andando com o Senhor da Vida
"Andou Enoque com Deus; e, depois que gerou a Metusalém, viveu trezentos anos; e teve filhos e filhas. Todos os dias de Enoque foram trezentos e sessenta e cinco anos. Andou Enoque com Deus e já não era, porque Deus o tomou para si."[1]
Gênesis 5.22-24
Escrevo este artigo para homenagear um dos grandes pastores metodistas na 4º Região e no Brasil, o Pr. Eliseo Loureiro.
No sábado 16 de maio de 2009, o Pr. Eliseo Loureiro foi recolhido pelo Senhor da Vida. Esse homem nos deixou alguns legados, dos quais quero destacar alguns. Ainda que você não o tenha conhecido, sei que este artigo lhe inspirará, em Cristo, a seguir o exemplo do Pr. Eliseo.
Parafraseando o texto bílbico: Andou Eliseo com Deus, teve filhas e filhos (pois seus genros não eram genros, mas filhos). Todos os dias de Eliseo foram 84 anos. Andou Eliseo com Deus e já não era, porque Deus o tomou para si.
Pensando no kerigma bíblico, assim como no testemunho deixado por esse homem, destaco:
A paixão evangelística e missionária do Pr. Eliseo. A cidade de Juiz de Fora e as circunvizinhanças são testemunhas do zelo pastoral que ele teve para com as ovelhas que o Senhor da Vida colocou aos seus cuidados. Nunca negou auxílio aos que lhe pediam, fossem clérigos ou leigos. Sempre cuidadoso no preparo de suas mensagens, buscava inspiração divina, assim como, conhecimento dos assuntos que abordava nos púlpitos pelos quais passou. Repetidamente ele dizia: "se um pregador não te cativar nos primeiros 5 minutos, uhm...". Mensagens criativas, com ilustrações do dia-a-dia, cheias de vida e que acalentavam o coração de seus ouvintes. Defensor de uma igreja viva, seu zelo era perceptível, em suas admoestações; que a Igreja fosse de Cristo, por Cristo e para Cristo, e, jamais, um lugar de encontro social de um grupo fechado.
A paixão por sua família levava o Pr. Eliseo a viajar quilômetros para acompanhar "as façanhas" dos seus. Se uma filha sofresse uma cirurgia em outra cidade, lá estava ele. Se um neto precisasse de seus conselhos, lá estava ele. Se um/a amigo/a necessitasse de sua ajuda, lá estava ele. Incansável em seguir o mandamento que o Senhor da Vida lhe deu: Ama a Deus sobre todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo. Dentre tantos destaques, fica o legado aos homens de boa vontade, Eliseo amou seu anjo, Teresinha, assim como Cristo ama sua igreja.
A paixão pelo ensino levou o Pr. Eliseo a "incucar" nas filhas, nos filhos, nas netas, nos netos, na família da fé, a verdade que liberta: Jesus Cristo é o caminho, a verdade e a vida; ninguém vai a Deus se não por ele. Suas estórias e histórias, contadas e recontadas podiam parecer "coisa de velho", mas a sanidade do Pr. Eliseo o acompanhou até o último fôlego de vida. Ele não estava esquecido ou "caducando". Seu legado era pregar e testemunhar a vida plena que desfrutava em Deus.
O Pr. Eliseo andou com Deus. Seu relacionamento foi intenso e profundo. Enfim, aprouve ao Senhor da Vida atendê-lo em uma de suas orações - partir para as mansões celestes, de forma tranqüila, em paz: "quando alguém perguntar: Onde está o Eliseo? Já foi". Deus lhe chamou para a segunda vida, a Vida Eterna.
Andou Eliseo com Deus, e já não era, porque Deus o tomou para si.
Pr. Thiago Pacheco
(Neto)
[1]Sociedade Bíblica do Brasil. 2003; 2005. Almeida Revista e Atualizada - Com Números de Strong . Sociedade Bíblica do Brasil
Gênesis 5.22-24
Escrevo este artigo para homenagear um dos grandes pastores metodistas na 4º Região e no Brasil, o Pr. Eliseo Loureiro.
No sábado 16 de maio de 2009, o Pr. Eliseo Loureiro foi recolhido pelo Senhor da Vida. Esse homem nos deixou alguns legados, dos quais quero destacar alguns. Ainda que você não o tenha conhecido, sei que este artigo lhe inspirará, em Cristo, a seguir o exemplo do Pr. Eliseo.
Parafraseando o texto bílbico: Andou Eliseo com Deus, teve filhas e filhos (pois seus genros não eram genros, mas filhos). Todos os dias de Eliseo foram 84 anos. Andou Eliseo com Deus e já não era, porque Deus o tomou para si.
Pensando no kerigma bíblico, assim como no testemunho deixado por esse homem, destaco:
A paixão evangelística e missionária do Pr. Eliseo. A cidade de Juiz de Fora e as circunvizinhanças são testemunhas do zelo pastoral que ele teve para com as ovelhas que o Senhor da Vida colocou aos seus cuidados. Nunca negou auxílio aos que lhe pediam, fossem clérigos ou leigos. Sempre cuidadoso no preparo de suas mensagens, buscava inspiração divina, assim como, conhecimento dos assuntos que abordava nos púlpitos pelos quais passou. Repetidamente ele dizia: "se um pregador não te cativar nos primeiros 5 minutos, uhm...". Mensagens criativas, com ilustrações do dia-a-dia, cheias de vida e que acalentavam o coração de seus ouvintes. Defensor de uma igreja viva, seu zelo era perceptível, em suas admoestações; que a Igreja fosse de Cristo, por Cristo e para Cristo, e, jamais, um lugar de encontro social de um grupo fechado.
A paixão por sua família levava o Pr. Eliseo a viajar quilômetros para acompanhar "as façanhas" dos seus. Se uma filha sofresse uma cirurgia em outra cidade, lá estava ele. Se um neto precisasse de seus conselhos, lá estava ele. Se um/a amigo/a necessitasse de sua ajuda, lá estava ele. Incansável em seguir o mandamento que o Senhor da Vida lhe deu: Ama a Deus sobre todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo. Dentre tantos destaques, fica o legado aos homens de boa vontade, Eliseo amou seu anjo, Teresinha, assim como Cristo ama sua igreja.
A paixão pelo ensino levou o Pr. Eliseo a "incucar" nas filhas, nos filhos, nas netas, nos netos, na família da fé, a verdade que liberta: Jesus Cristo é o caminho, a verdade e a vida; ninguém vai a Deus se não por ele. Suas estórias e histórias, contadas e recontadas podiam parecer "coisa de velho", mas a sanidade do Pr. Eliseo o acompanhou até o último fôlego de vida. Ele não estava esquecido ou "caducando". Seu legado era pregar e testemunhar a vida plena que desfrutava em Deus.
O Pr. Eliseo andou com Deus. Seu relacionamento foi intenso e profundo. Enfim, aprouve ao Senhor da Vida atendê-lo em uma de suas orações - partir para as mansões celestes, de forma tranqüila, em paz: "quando alguém perguntar: Onde está o Eliseo? Já foi". Deus lhe chamou para a segunda vida, a Vida Eterna.
Andou Eliseo com Deus, e já não era, porque Deus o tomou para si.
Pr. Thiago Pacheco
(Neto)
[1]Sociedade Bíblica do Brasil. 2003; 2005. Almeida Revista e Atualizada - Com Números de Strong . Sociedade Bíblica do Brasil
O conhecimento de Deus
“Senhor, tu me sondas e me conheces.” Salmo 139.1
(recomendação – leia também os versículos 2-12)
Este salmo expressa a confiança em Deus, o qual cuida com amor e grande zelo de seus filhos e filhas. Deus está presente em todos os momentos da vida humana, e essa verdade é que consola e ao mesmo tempo nos chama à responsabilidade. Ninguém consegue fugir da presença de Deus, ou esconder qualquer maldade de sua percepção, nem mesmo está só, para que não receba a graça abundante de Deus em sua vida
Ao pensar sobre essa experiência da graça de Deus, que nos leva a uma vivência pessoal com Deus, fortalece nossa confiança em Cristo, nos assegura que o perdão de Deus é eficaz e real, e que, sobretudo, nos alegra pela certeza, magnífica, da salvação; somos convidos a dar mais um passo, respondendo às perguntas: E agora? O que fazer? Reconhecendo a graça, como expressá-la?
Quando o salmista diz que Deus o conhece, ele não faz alusão aos títulos que possivelmente ele tivesse. Ele não diz que Deus sabia ser ele um rei, um profeta, um escritor, um teólogo, um administrador etc.. O poeta bíblico nos fala de outro tipo de conhecimento, aquele que transcende as nomenclaturas que nos dão, ou as que nós mesmos nos auto-intitulamos. Ele fala de relacionamento, íntimo e profundo, que só é experimentado mediante a ação graciosa de Deus em nós, pela mediação do Espírito Santo.
Nós somos desafiados a fazer o mesmo! Deus deseja que nos relacionemos com as pessoas, como expoentes da graça divina, como arautos dos céus, como discípulos e discípulas de Cristo; o único digno de abrir o livro da vida. Expressar a graça de Deus é re-conhecer que o autor da vida nunca nos olha pelo que possuímos ou adquirimos, mas pelo que somos. O conhecimento de Deus está direcionado a nós, de forma a nos auxiliar a crescer em graça e sabedoria, ou seja, caminharmos em direção à perfeição cristã.
Expresse a graça de Deus às pessoas através da sua oração e da sua ação. Estenda suas mãos aos céus, para interceder por alguém, mas, também, estenda-as para um amigo que precisa ser acolhido pela graça de Deus, através da sua vida. Que haja em nós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus: “Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas (...)” – cf. Mt 9.36.
Que Deus nos abençoe.
Pr. Thiago Pacheco
(recomendação – leia também os versículos 2-12)
Este salmo expressa a confiança em Deus, o qual cuida com amor e grande zelo de seus filhos e filhas. Deus está presente em todos os momentos da vida humana, e essa verdade é que consola e ao mesmo tempo nos chama à responsabilidade. Ninguém consegue fugir da presença de Deus, ou esconder qualquer maldade de sua percepção, nem mesmo está só, para que não receba a graça abundante de Deus em sua vida
Ao pensar sobre essa experiência da graça de Deus, que nos leva a uma vivência pessoal com Deus, fortalece nossa confiança em Cristo, nos assegura que o perdão de Deus é eficaz e real, e que, sobretudo, nos alegra pela certeza, magnífica, da salvação; somos convidos a dar mais um passo, respondendo às perguntas: E agora? O que fazer? Reconhecendo a graça, como expressá-la?
Quando o salmista diz que Deus o conhece, ele não faz alusão aos títulos que possivelmente ele tivesse. Ele não diz que Deus sabia ser ele um rei, um profeta, um escritor, um teólogo, um administrador etc.. O poeta bíblico nos fala de outro tipo de conhecimento, aquele que transcende as nomenclaturas que nos dão, ou as que nós mesmos nos auto-intitulamos. Ele fala de relacionamento, íntimo e profundo, que só é experimentado mediante a ação graciosa de Deus em nós, pela mediação do Espírito Santo.
Nós somos desafiados a fazer o mesmo! Deus deseja que nos relacionemos com as pessoas, como expoentes da graça divina, como arautos dos céus, como discípulos e discípulas de Cristo; o único digno de abrir o livro da vida. Expressar a graça de Deus é re-conhecer que o autor da vida nunca nos olha pelo que possuímos ou adquirimos, mas pelo que somos. O conhecimento de Deus está direcionado a nós, de forma a nos auxiliar a crescer em graça e sabedoria, ou seja, caminharmos em direção à perfeição cristã.
Expresse a graça de Deus às pessoas através da sua oração e da sua ação. Estenda suas mãos aos céus, para interceder por alguém, mas, também, estenda-as para um amigo que precisa ser acolhido pela graça de Deus, através da sua vida. Que haja em nós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus: “Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas (...)” – cf. Mt 9.36.
Que Deus nos abençoe.
Pr. Thiago Pacheco
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Construcción adelante
Léase 1ª a los Corintios 13.4-7
Estando persuadido de esto, que el que comenzó en vosotros la buena obra la perfeccionará hasta el día de Jesucristo. -Filipenses 1.6
MIENTRAS manejaba hacia mi destino, estaba enojada por la discusión que había sostenido con mi esposo la noche anterior. Estaba segura de que tenía la razón, pero él nunca lo admitiría. Mi frustración aumentó cuando pasé un rótulo anaranjado de precaución que decía: «Construcción adelante». Iba retrasada e irritada por la demora por tener que manejar despacio. Mientras me movía lentamente por el desierto, le dije a Dios cuán enojada me sentía. Después de unos momentos, tiernamente, Dios me susurró que al igual que la carretera por la que estaba transitando, mi esposo está «en construcción» y que necesito ser paciente con él.
Pensé nuevamente en la discusión, pero esta vez desde la perspectiva de mi esposo. Estaba horrorizada por mi falta de amor. Estaba avergonzada de pedir perdón, pero luego vi cuán paciente y tierno Dios había sido conmigo. Me percaté de que yo también estoy en proceso de construcción, y recibí el perdón de Dios con gratitud. El perdonar a mi esposo fue más fácil cuando comprendí cuánto más Dios me ha perdonado.
Sa. Karri Howard (Nuevo México, EUA)
Obrigado Glenn por comparitlhar conosco!
Estando persuadido de esto, que el que comenzó en vosotros la buena obra la perfeccionará hasta el día de Jesucristo. -Filipenses 1.6
MIENTRAS manejaba hacia mi destino, estaba enojada por la discusión que había sostenido con mi esposo la noche anterior. Estaba segura de que tenía la razón, pero él nunca lo admitiría. Mi frustración aumentó cuando pasé un rótulo anaranjado de precaución que decía: «Construcción adelante». Iba retrasada e irritada por la demora por tener que manejar despacio. Mientras me movía lentamente por el desierto, le dije a Dios cuán enojada me sentía. Después de unos momentos, tiernamente, Dios me susurró que al igual que la carretera por la que estaba transitando, mi esposo está «en construcción» y que necesito ser paciente con él.
Pensé nuevamente en la discusión, pero esta vez desde la perspectiva de mi esposo. Estaba horrorizada por mi falta de amor. Estaba avergonzada de pedir perdón, pero luego vi cuán paciente y tierno Dios había sido conmigo. Me percaté de que yo también estoy en proceso de construcción, y recibí el perdón de Dios con gratitud. El perdonar a mi esposo fue más fácil cuando comprendí cuánto más Dios me ha perdonado.
Sa. Karri Howard (Nuevo México, EUA)
Obrigado Glenn por comparitlhar conosco!
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Reflexões Teológico-Cristãs na Modernidade e Pós-Modernidade
As mudanças sócio-políticas e econômicas, que a sociedade mundial vive, re-destacam as discussões acerca do papel gerador de sentido da religião e da ciência. A fase Moderna e Pós-Moderna detém o entrave entre o desaparecimento da religião e a ascensão da secularização. A luta entre o Misticismo e a Mística ganha destaque e preocupam teólogos e religiosos ao redor do mundo. Como lidar com os ataques da comercialização do sagrado, em relação ao dom de Deus inerente ao ser humano?
O valor, a qualidade, a importância que se dá às práticas e preceitos cristãos, é considerado como uma releitura dos valores humanos sob a ótica de Jesus Cristo. Dentre esses valores, emergiram as reflexões sobre a Bioética, a Sexualidade e a família, a Ética na vida socioeconômica, e a Ética na comunicação.
A Bioética, junção do saber científico e humanista, se dispõe a pensar de forma ética os avanços biológicos de forma que a sobrevivência seja garantida, sem perda dos valores básicos de todo ser humano. Pensar o início da vida humana, assim como o fim dela, e questões como saúde movimentam as reflexões sobre o respeito à vida humana. O problema da superpopulação, do aborto, das experiências com células-tronco, bem como, alcoolismo, AIDS e, finalmente, a morte, à historicidade e dignidade humanas.
A reflexão acerca do tema “sexualidade e a família” expõe alguns valores, como: a paternidade, as linguagens de amor, as dificuldades que afetam as famílias e a homossexualidade. Homem e mulher são companheiros e se atraem corporeamente, na contraposição dos sexos. Erroneamente reduz-se a sexualidade à “genitalidade”, mas ela se define na esfera afetiva, sob o ápice do amor. O fruto do amor conjugal são os filhos e filhas, que acolhidos e educados propagarão o compromisso sério com a vida. Infelizmente, a paternidade perde seu caráter autêntico e assume, em alguns setores, uma sistematização, exclusivamente, relacionada à fertilidade. Isso tudo gera problemas como famílias sem pai ou mãe, mães e pais solteiros, além de jovens prematuros contraindo o matrimônio. Enfim, a questão homossexual também se depara com as reflexões sobre sexualidade e família. A tensão entre respeitar o individuo e suas decisões, com a defesa dos valores cristãos, oficialmente, aceitos, também gera instabilidade e desconforto no seio das famílias e na forma como elas lidam com sua sexualidade.
A Ética na vida socioeconômica e na comunicação são reflexões muito atuais e que ganham destaque constante, ao se relacionarem com: o liberalismo, o androcentrismo, a destinação universal dos bens, a política, o autoconhecimento etc. A palavra, como meio privilegiado de comunicação, deve se preocupar com a busca e respeito à verdade. A sociabilidade expandida, dos dias atuais, deve considerar a “máquina” da propaganda, como instrumento de progresso da verdade e da solidariedade, e não, de forma antiética, meio de manipulação das massas.
O liberalismo, a alienação e a rejeição da ética precisam ser contrapostas ao pensamento social cristão. A reflexão ponderada a respeito da globalização, das exigências do mercado, e do direito primordial de cada ser humano precisam culminar em uma cultura global de solidariedade. A difusão de uma justiça distributiva poderá aumentar o nível de famílias assistidas pela saúde e bem-estar, e, assim, promover o avanço socioeconômico coletivo, de forma sadia.
Cremos que se reflexões, como as apresentadas, fossem mais cotidianamente sugeridas e difundidas, as sociedades ao redor do mundo, assim como toda a humanidade, e a criação, poderiam experimentar de uma melhora significativa e gradual. Não cremos ser possível a resolução de todas as diferenças e entraves políticos, culturais, religiosos e econômicos entre todas as pessoas, mas é, certamente, possível a redução drástica das desigualdades sociais, da discriminação entre etnias e a exploração do próximo.
Por isso, finalizamos citando o ensinamento registrado no Evangelho segundo Mateus: “Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o coração, de toda a tua alma e todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo"
O valor, a qualidade, a importância que se dá às práticas e preceitos cristãos, é considerado como uma releitura dos valores humanos sob a ótica de Jesus Cristo. Dentre esses valores, emergiram as reflexões sobre a Bioética, a Sexualidade e a família, a Ética na vida socioeconômica, e a Ética na comunicação.
A Bioética, junção do saber científico e humanista, se dispõe a pensar de forma ética os avanços biológicos de forma que a sobrevivência seja garantida, sem perda dos valores básicos de todo ser humano. Pensar o início da vida humana, assim como o fim dela, e questões como saúde movimentam as reflexões sobre o respeito à vida humana. O problema da superpopulação, do aborto, das experiências com células-tronco, bem como, alcoolismo, AIDS e, finalmente, a morte, à historicidade e dignidade humanas.
A reflexão acerca do tema “sexualidade e a família” expõe alguns valores, como: a paternidade, as linguagens de amor, as dificuldades que afetam as famílias e a homossexualidade. Homem e mulher são companheiros e se atraem corporeamente, na contraposição dos sexos. Erroneamente reduz-se a sexualidade à “genitalidade”, mas ela se define na esfera afetiva, sob o ápice do amor. O fruto do amor conjugal são os filhos e filhas, que acolhidos e educados propagarão o compromisso sério com a vida. Infelizmente, a paternidade perde seu caráter autêntico e assume, em alguns setores, uma sistematização, exclusivamente, relacionada à fertilidade. Isso tudo gera problemas como famílias sem pai ou mãe, mães e pais solteiros, além de jovens prematuros contraindo o matrimônio. Enfim, a questão homossexual também se depara com as reflexões sobre sexualidade e família. A tensão entre respeitar o individuo e suas decisões, com a defesa dos valores cristãos, oficialmente, aceitos, também gera instabilidade e desconforto no seio das famílias e na forma como elas lidam com sua sexualidade.
A Ética na vida socioeconômica e na comunicação são reflexões muito atuais e que ganham destaque constante, ao se relacionarem com: o liberalismo, o androcentrismo, a destinação universal dos bens, a política, o autoconhecimento etc. A palavra, como meio privilegiado de comunicação, deve se preocupar com a busca e respeito à verdade. A sociabilidade expandida, dos dias atuais, deve considerar a “máquina” da propaganda, como instrumento de progresso da verdade e da solidariedade, e não, de forma antiética, meio de manipulação das massas.
O liberalismo, a alienação e a rejeição da ética precisam ser contrapostas ao pensamento social cristão. A reflexão ponderada a respeito da globalização, das exigências do mercado, e do direito primordial de cada ser humano precisam culminar em uma cultura global de solidariedade. A difusão de uma justiça distributiva poderá aumentar o nível de famílias assistidas pela saúde e bem-estar, e, assim, promover o avanço socioeconômico coletivo, de forma sadia.
Cremos que se reflexões, como as apresentadas, fossem mais cotidianamente sugeridas e difundidas, as sociedades ao redor do mundo, assim como toda a humanidade, e a criação, poderiam experimentar de uma melhora significativa e gradual. Não cremos ser possível a resolução de todas as diferenças e entraves políticos, culturais, religiosos e econômicos entre todas as pessoas, mas é, certamente, possível a redução drástica das desigualdades sociais, da discriminação entre etnias e a exploração do próximo.
Por isso, finalizamos citando o ensinamento registrado no Evangelho segundo Mateus: “Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o coração, de toda a tua alma e todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo"
O avanço da AIDS no mundo. O que estamos fazendo?
A AIDS foi reconhecida em meados de 1981, nos EUA, a partir da identificação de um número elevado de pacientes adultos do sexo masculino, homossexuais e moradores de São Francisco ou Nova York. Eles apresentavam sarcoma de Kaposi , pneumonia e comprometimento do sistema imune Isso levou à conclusão de que se tratava de uma nova doença, ainda não classificada, de etiologia provavelmente infecciosa e transmissível.
Embora não se saiba ao certo qual a origem do HIV-1 e 2, sabe-se que uma grande família de retrovírus relacionados a eles está presente em primatas não-humanos, na África sub-Sahariana. O vírus da imunodeficiência símia (SIV), que infecta uma subespécie de chimpanzés africanos, é 98% similar ao HIV-1, sugerindo que ambos evoluíram de uma origem comum.
“O mundo está perdendo a guerra contra a AIDS”. As regiões mais pobres do planeta são as mais afetadas. Essa foi a constatação de um estudo elaborado pelo UNAIDS . Os resultados da pesquisa mostram que a epidemia pode estar, vagarosamente, diminuindo no mundo, mas as taxas de infecção ainda são crescentes. Em 2007 o número de pessoas vivendo com o HIV aumentou para 33,2. Estima-se que 2,5 milhões de pessoas foram infectadas pela primeira vez com o vírus em 2007 e que 2,1 milhões morreram no mesmo ano.
A África subsaariana continua sendo a região mais afetada. Acredita-se que 1,7 milhões de pessoas foram infectadas pela primeira vez na região em 2007. Em seguida, 4,9 milhões na Ásia. A América Latina segue com números estáveis. Cerca de 100.000 pessoas forma infectadas em 2007, totalizando um número de aproximadamente 1,6 milhão de pessoas.
O Boletim Epidemiológico 2007 apresenta dados sobre a proporção de pessoas que continuaram vivendo com AIDS em até cinco anos após o diagnóstico. O estudo foi feito com base no número de pessoas identificadas com a doença em 2000. Os dados apontam que, cinco anos depois de diagnosticadas, 90% das pessoas com AIDS no Sudeste estavam vivas. Nas outras regiões, os percentuais foram de 78%, no Norte; 80% no Centro Oeste; 81%, no Nordeste; e 82%, no Sul.
A análise dos dados mostra, ainda, que 13,9% dos indivíduos diagnosticados com AIDS no Norte, em 2000, haviam morrido em até um ano após a descoberta da doença. No Centro Oeste, o percentual foi de 12,7% e no Nordeste, de 12,1%. Na região Sul, o indicador cai para 9,1% e no Sudeste, para 3%. A média do Brasil foi de 6,1%. Em números absolutos, o Brasil registrou 192.709 óbitos por AIDS, de 1980 a 2006.
De acordo com o Boletim, de 1980 a junho de 2007, foram notificados 474.273 casos de AIDS no País – 289.074 no Sudeste, 89.250 no Sul, 53.089 no Nordeste, 26.757 no Centro Oeste e 16.103 no Norte. No Brasil e nas regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste, a incidência de AIDS tende à estabilização. No Norte e Nordeste, a tendência é de crescimento. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil tem uma epidemia concentrada, com taxa de prevalência da infecção pelo HIV de 0,6% na população de 15 a 49 anos.
Dentre as pessoas com maior índice de contaminação, estão os homens com idade entre 25 e 44 anos. Todavia, o número de mulheres infectadas, principalmente, mulheres com relacionamentos estáveis cresce nos últimos anos. Os números variam de acordo com a região. Na África, o número de homens infectados é muito superior ao das mulheres , porém, na América do Sul essa diferença está em constante declínio .
É possível identificar, baseados na exposição acima, que existe uma necessidade grande, na sociedade atual, de parceria entre a comunidade, os órgãos públicos e as instituições religiosas. Um diálogo que trate de forma séria e clara do avanço da AIDS, e do preconceito sofrido pelos portadores e portadoras do vírus HIV.
A Bíblia relata, no Evangelho segundo João, capítulo 10, versículo 10, as palavras de Jesus: “(...) eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” . O autor H. Richard Niebuhr diz: “Na verdade, a Igreja mesma deve ser descrita nestes termos como a comunidade que responde ao Deus-em-Cristo e ao Cristo-em-Deus” . As palavras descritas acima refletem a coerência do pensamento de Deus para com o ser humano e a expectativa presente sobre o papel da igreja.
Cremos que poderíamos traduzir a última palavra de Jesus, como: dignidade. Essa dignidade é explicitamente revogada a partir do momento em que se constata a infecção pelo vírus HIV. As pessoas contaminadas pelo vírus são expostas ao próprio preconceito e medo, assim como à angústia da solidão e da vergonha. Quando se pensa em contaminação pelo vírus da AIDS – termo comumente usado – associa-se essa idéia ao conceito de promiscuidade ou à dependência química.
A igreja cristã precisa, nesse momento de profunda necessidade de apoio, se portar como uma comunidade responsável para com Jesus e sua declaração. Entender que a “vida abundante”, ou a dignidade – como chamaremos aqui – é princípio do Reino de Deus e que só se é possível experimentar da salvação de Deus, quando esse resgate perpassa todas as áreas da vida do ser humano.
O autor H. Richard Niebuhr ainda diz que: “Torna-se claro que o conteúdo da responsabilidade da Igreja é amplamente determinado pela natureza daquele para quem ela presta contas. Desde que é Deus-em-Cristo para quem ela responde, o conteúdo de sua responsabilidade é universal” . Essa afirmação faz emergir um questionamento: Por que há um silêncio contínuo da igreja cristã em relação ao avanço da AIDS no mundo? Por que não há manifestações em prol das pessoas que necessitam de vida abundante? Por que não há forte engajamento da igreja cristã, no Brasil, pelos direitos de igualdade, respeito e justiça para as pessoas acometidas pela AIDS?
Uma Pastoral da AIDS deve ser mais que palavras, ou um mero livretinho de consulta. Deve sim, funcionar como orientadora de ações concretas que promovam a inserção das pessoas infectadas com o vírus HIV na sociedade e na comunidade de fé.
No livro Pastoral Urbana, a Profa. Dra. Magali Cunha afirma que: “A indiferença em relação às demandas sociais pode ser identificada no fato de bom número das igrejas permanecerem fechada durante roda a semana” . Essa indiferença é manifesta nas portas fechadas e nas “portas fechadas”. Na falta de manifestações de apoio, de visitação a centros de tratamento de pessoas com AIDS, na conscientização da comunidade de fé. “Igrejas fechadas” são rostos, sorrisos e abraços “fechados” às pessoas que precisam e tem direito à vida abundante em Jesus.
É tempo de dizermos: Eis-nos aqui!
Embora não se saiba ao certo qual a origem do HIV-1 e 2, sabe-se que uma grande família de retrovírus relacionados a eles está presente em primatas não-humanos, na África sub-Sahariana. O vírus da imunodeficiência símia (SIV), que infecta uma subespécie de chimpanzés africanos, é 98% similar ao HIV-1, sugerindo que ambos evoluíram de uma origem comum.
“O mundo está perdendo a guerra contra a AIDS”. As regiões mais pobres do planeta são as mais afetadas. Essa foi a constatação de um estudo elaborado pelo UNAIDS . Os resultados da pesquisa mostram que a epidemia pode estar, vagarosamente, diminuindo no mundo, mas as taxas de infecção ainda são crescentes. Em 2007 o número de pessoas vivendo com o HIV aumentou para 33,2. Estima-se que 2,5 milhões de pessoas foram infectadas pela primeira vez com o vírus em 2007 e que 2,1 milhões morreram no mesmo ano.
A África subsaariana continua sendo a região mais afetada. Acredita-se que 1,7 milhões de pessoas foram infectadas pela primeira vez na região em 2007. Em seguida, 4,9 milhões na Ásia. A América Latina segue com números estáveis. Cerca de 100.000 pessoas forma infectadas em 2007, totalizando um número de aproximadamente 1,6 milhão de pessoas.
O Boletim Epidemiológico 2007 apresenta dados sobre a proporção de pessoas que continuaram vivendo com AIDS em até cinco anos após o diagnóstico. O estudo foi feito com base no número de pessoas identificadas com a doença em 2000. Os dados apontam que, cinco anos depois de diagnosticadas, 90% das pessoas com AIDS no Sudeste estavam vivas. Nas outras regiões, os percentuais foram de 78%, no Norte; 80% no Centro Oeste; 81%, no Nordeste; e 82%, no Sul.
A análise dos dados mostra, ainda, que 13,9% dos indivíduos diagnosticados com AIDS no Norte, em 2000, haviam morrido em até um ano após a descoberta da doença. No Centro Oeste, o percentual foi de 12,7% e no Nordeste, de 12,1%. Na região Sul, o indicador cai para 9,1% e no Sudeste, para 3%. A média do Brasil foi de 6,1%. Em números absolutos, o Brasil registrou 192.709 óbitos por AIDS, de 1980 a 2006.
De acordo com o Boletim, de 1980 a junho de 2007, foram notificados 474.273 casos de AIDS no País – 289.074 no Sudeste, 89.250 no Sul, 53.089 no Nordeste, 26.757 no Centro Oeste e 16.103 no Norte. No Brasil e nas regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste, a incidência de AIDS tende à estabilização. No Norte e Nordeste, a tendência é de crescimento. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil tem uma epidemia concentrada, com taxa de prevalência da infecção pelo HIV de 0,6% na população de 15 a 49 anos.
Dentre as pessoas com maior índice de contaminação, estão os homens com idade entre 25 e 44 anos. Todavia, o número de mulheres infectadas, principalmente, mulheres com relacionamentos estáveis cresce nos últimos anos. Os números variam de acordo com a região. Na África, o número de homens infectados é muito superior ao das mulheres , porém, na América do Sul essa diferença está em constante declínio .
É possível identificar, baseados na exposição acima, que existe uma necessidade grande, na sociedade atual, de parceria entre a comunidade, os órgãos públicos e as instituições religiosas. Um diálogo que trate de forma séria e clara do avanço da AIDS, e do preconceito sofrido pelos portadores e portadoras do vírus HIV.
A Bíblia relata, no Evangelho segundo João, capítulo 10, versículo 10, as palavras de Jesus: “(...) eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” . O autor H. Richard Niebuhr diz: “Na verdade, a Igreja mesma deve ser descrita nestes termos como a comunidade que responde ao Deus-em-Cristo e ao Cristo-em-Deus” . As palavras descritas acima refletem a coerência do pensamento de Deus para com o ser humano e a expectativa presente sobre o papel da igreja.
Cremos que poderíamos traduzir a última palavra de Jesus, como: dignidade. Essa dignidade é explicitamente revogada a partir do momento em que se constata a infecção pelo vírus HIV. As pessoas contaminadas pelo vírus são expostas ao próprio preconceito e medo, assim como à angústia da solidão e da vergonha. Quando se pensa em contaminação pelo vírus da AIDS – termo comumente usado – associa-se essa idéia ao conceito de promiscuidade ou à dependência química.
A igreja cristã precisa, nesse momento de profunda necessidade de apoio, se portar como uma comunidade responsável para com Jesus e sua declaração. Entender que a “vida abundante”, ou a dignidade – como chamaremos aqui – é princípio do Reino de Deus e que só se é possível experimentar da salvação de Deus, quando esse resgate perpassa todas as áreas da vida do ser humano.
O autor H. Richard Niebuhr ainda diz que: “Torna-se claro que o conteúdo da responsabilidade da Igreja é amplamente determinado pela natureza daquele para quem ela presta contas. Desde que é Deus-em-Cristo para quem ela responde, o conteúdo de sua responsabilidade é universal” . Essa afirmação faz emergir um questionamento: Por que há um silêncio contínuo da igreja cristã em relação ao avanço da AIDS no mundo? Por que não há manifestações em prol das pessoas que necessitam de vida abundante? Por que não há forte engajamento da igreja cristã, no Brasil, pelos direitos de igualdade, respeito e justiça para as pessoas acometidas pela AIDS?
Uma Pastoral da AIDS deve ser mais que palavras, ou um mero livretinho de consulta. Deve sim, funcionar como orientadora de ações concretas que promovam a inserção das pessoas infectadas com o vírus HIV na sociedade e na comunidade de fé.
No livro Pastoral Urbana, a Profa. Dra. Magali Cunha afirma que: “A indiferença em relação às demandas sociais pode ser identificada no fato de bom número das igrejas permanecerem fechada durante roda a semana” . Essa indiferença é manifesta nas portas fechadas e nas “portas fechadas”. Na falta de manifestações de apoio, de visitação a centros de tratamento de pessoas com AIDS, na conscientização da comunidade de fé. “Igrejas fechadas” são rostos, sorrisos e abraços “fechados” às pessoas que precisam e tem direito à vida abundante em Jesus.
É tempo de dizermos: Eis-nos aqui!
segunda-feira, 4 de maio de 2009
A sabedoria popular, sob a ótica do humor e da ironia, expressa nos provérbios bíblicos e ditos populares, pode ser percebida através da utilização da ferramenta da análise do discurso. Assim é possível explicitar as peculiaridades irônicas e humorísticas que perpassam as expressões sapienciais e culturais.
Os ditos e provérbios populares são expressão da sabedoria popular e, que como tal, contém as estratégias educacionais do lúdico, do humor e da ironia.
O francês Antoine de Saint-Exupéry, autor de O Pequeno Príncipe, um dos mais co-nhecidos clássicos da literatura mundial, registrou uma verdade que, de tão simples, esvai-se no tempo do esquecimento: ser sério contrapõe, em geral, o ser alegre.
Eu conheço um planeta onde há um sujeito vermelho, quase roxo. Nunca cheirou uma flor. Nunca olhou uma estrela. Nunca amou ninguém. Nunca fez outra coisa senão contas. E o dia todo repete: “Eu sou um homem sério! Eu sou um homem sério!” E isso o faz inchar-se de orgulho. Mas ele não é um homem; é um cogumelo!
A alegria, segundo o dicionário Houaiss é: “estado de satisfação ou prazer; contenta-mento”. Esse estado ao qual nos referimos é inerente a todo ser humano, mas, constante-mente, suprimido pela perspectiva da formalidade social incutida no imaginário das pessoas; principalmente daquelas que se dedicam à posições de destaque nos mais diversos organismos integrantes da sociedade atual.
O humor – “estado de espírito; graça; comicidade” é um poder simbólico, ou seja, “poder invisível o qual só pode ser exercido com a cumplicidade daqueles que não querem saber que lhe estão sujeitos ou mesmo que o exercem” . Essa qualidade é um dos grandes fatores caracterizadores do ser humano, em especial, da sociedade brasileira. A ironia – “sarcasmo; modo de expressão da língua em que há um contraste proposital entre o que se diz e o que se pensa” é parte desse poder invisível, do qual as pessoas se utilizam na fomentação e compartilhamento de idéias e princípios.
Ambos os elementos são membros da cultura brasileira, em destaque, e dialogam entre si, bem como com os demais elementos do qual essa cultura é dotada. Como relacionar esta reflexão à reflexão teológica? Dentre os muitos caminhos, uma leitura do humor nas Sagradas Escrituras revela-se interessante.
As Sagradas Escrituras, ou a Bíblia, são a regra de fé e conduta das pessoas que aderi-ram ao Cristianismo. A Bíblia é “o livro sagrado que compreende o Antigo e Novo Testa-mentos”. Segundo Mack B. Stokes, em sua obra As Crenças Fundamentais dos Metodistas: “Cremos na Bíblia e a exaltamos como o Livros dos livros” . Já para o Colégio Episcopal da Igreja Metodista, seus pastores e pastoras devem considerar a Bíblia como: “regra de fé e prática, registro inspirado e autorizado da revelação de Deus.” Num país como o Brasil, predominantemente católico romano, e com um índice de crescimento no número de protestantes, segundo nos afirma Ronaldo de Almeida, em seus estudos sobre o Trânsito Religioso no Brasil; e Religião na Metrópole Paulistana; a Bíblia, e os princípios por ela difundidos são elemento primordiais da cultura brasileira.
Poderíamos nos questionar a cerca da conectividade entre o humor, a ironia e as Sa-gradas Escrituras. Por certo, esses elementos se co-relacionam no âmbito cultural do imaginário comum do povo brasileiro, conforme notamos no discorrido acima, e na expressão sapiencial desse povo, verificada nos Ditos Populares, que se equivalem aos Provérbios Bíblicos.
Sem qualquer tentativa de diminuir a importância das Sagradas Escrituras, faço esses apontamentos para motivar os/as amigos/as a utilizarem essas ferramentas como estratégia de ensino e promoção da alegria.
Abraços.
Os ditos e provérbios populares são expressão da sabedoria popular e, que como tal, contém as estratégias educacionais do lúdico, do humor e da ironia.
O francês Antoine de Saint-Exupéry, autor de O Pequeno Príncipe, um dos mais co-nhecidos clássicos da literatura mundial, registrou uma verdade que, de tão simples, esvai-se no tempo do esquecimento: ser sério contrapõe, em geral, o ser alegre.
Eu conheço um planeta onde há um sujeito vermelho, quase roxo. Nunca cheirou uma flor. Nunca olhou uma estrela. Nunca amou ninguém. Nunca fez outra coisa senão contas. E o dia todo repete: “Eu sou um homem sério! Eu sou um homem sério!” E isso o faz inchar-se de orgulho. Mas ele não é um homem; é um cogumelo!
A alegria, segundo o dicionário Houaiss é: “estado de satisfação ou prazer; contenta-mento”. Esse estado ao qual nos referimos é inerente a todo ser humano, mas, constante-mente, suprimido pela perspectiva da formalidade social incutida no imaginário das pessoas; principalmente daquelas que se dedicam à posições de destaque nos mais diversos organismos integrantes da sociedade atual.
O humor – “estado de espírito; graça; comicidade” é um poder simbólico, ou seja, “poder invisível o qual só pode ser exercido com a cumplicidade daqueles que não querem saber que lhe estão sujeitos ou mesmo que o exercem” . Essa qualidade é um dos grandes fatores caracterizadores do ser humano, em especial, da sociedade brasileira. A ironia – “sarcasmo; modo de expressão da língua em que há um contraste proposital entre o que se diz e o que se pensa” é parte desse poder invisível, do qual as pessoas se utilizam na fomentação e compartilhamento de idéias e princípios.
Ambos os elementos são membros da cultura brasileira, em destaque, e dialogam entre si, bem como com os demais elementos do qual essa cultura é dotada. Como relacionar esta reflexão à reflexão teológica? Dentre os muitos caminhos, uma leitura do humor nas Sagradas Escrituras revela-se interessante.
As Sagradas Escrituras, ou a Bíblia, são a regra de fé e conduta das pessoas que aderi-ram ao Cristianismo. A Bíblia é “o livro sagrado que compreende o Antigo e Novo Testa-mentos”. Segundo Mack B. Stokes, em sua obra As Crenças Fundamentais dos Metodistas: “Cremos na Bíblia e a exaltamos como o Livros dos livros” . Já para o Colégio Episcopal da Igreja Metodista, seus pastores e pastoras devem considerar a Bíblia como: “regra de fé e prática, registro inspirado e autorizado da revelação de Deus.” Num país como o Brasil, predominantemente católico romano, e com um índice de crescimento no número de protestantes, segundo nos afirma Ronaldo de Almeida, em seus estudos sobre o Trânsito Religioso no Brasil; e Religião na Metrópole Paulistana; a Bíblia, e os princípios por ela difundidos são elemento primordiais da cultura brasileira.
Poderíamos nos questionar a cerca da conectividade entre o humor, a ironia e as Sa-gradas Escrituras. Por certo, esses elementos se co-relacionam no âmbito cultural do imaginário comum do povo brasileiro, conforme notamos no discorrido acima, e na expressão sapiencial desse povo, verificada nos Ditos Populares, que se equivalem aos Provérbios Bíblicos.
Sem qualquer tentativa de diminuir a importância das Sagradas Escrituras, faço esses apontamentos para motivar os/as amigos/as a utilizarem essas ferramentas como estratégia de ensino e promoção da alegria.
Abraços.
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